E se engana quem pensa que o presidente de honra do Orlândia está satisfeito com a conquista. ‘Enquanto a paixão pelo esporte estiver acesa, vou continuar investindo. E ela está mais acesa do que nunca’, disse Vincenzo Spedicato.
Perto de renovar com o craque Falcão e prestes a inaugurar o Memorial do Orlândia – um museu com fotos e vídeos da história da equipe -, o comendador já tem o próximo objetivo em mente: conquistar o mundo.
Dono de uma indústria no segmento de terminais elétricos com sede em Orlândia e ramificação em Campinas, Vincenzo Spedicato falou ao globoesporte.com sobre sua paixão pelo futsal, os planos para o futuro, a relação com o craque Falcão e o sonho de ter um ginásio na cidade. Confira a entrevista:
O Orlândia conquistou a Liga Futsal. E agora, quais são os próximos passos?
Vocês não cobram ingressos dos torcedores e o lucro resultante da venda de camisas está longe de cobrir os gastos do time. Mesmo assim, em nenhum momento vocês colocam em dúvida a continuação…
Máquina se compra e se vende, se negocia e se troca. Ser humano, não. O meu maior patrimônio dentro da empresa é o ser humano. Sem os funcionários, não seríamos nada. Não adianta você ter as melhores máquinas do mundo e os funcionários operarem com displicência e negligência. Isso pauta os nossos negócios, pauta o nosso dia a dia, e não seria diferente no futsal. Sempre, em primeiro lugar, estará o ser humano. Isso faz alguém vencedor. Se tiver alguém que distoa dentro do grupo, esse alguém será automaticamente eliminado pelo próprio grupo. O objetivo maior é o que nós queremos e não a valorização pessoal. O Falcão poderia se achar o máximo e apenas pensar na valorização dele. Nós vimos no último jogo que ele fez um gol, mas os outros três foram assitências dele. Ele deixou de chutar, não foi egoísta. Isso faz ele ser uma pessoa grande. Isso faz a diferença. Tudo isso tem que ser valorizado.
Todo mundo me pergunta em entrevistas: vale a pena o investimento e o retorno financeiro? Eu sempre digo: quando você casa, você casa por paixão. Se você souber o quanto vai custar a mulher, você não casaria nunca. O que move é a paixão. E como você mensura o retorno da fixação de uma marca? Citei o exemplo do japonês. Desde a pessoa mais humilde, que se entrega ao time, ao grande empresário que mudou uma expectativa de venda de nossa parte, quanto vale isso? Como mensurar isso? É difícil.
Por falar em Falcão, como estão as negociações com o principal jogador do Orlândia? A renovação está próxima?
A grande virtude desse jogador é o lado humano. Como caráter, como atitude no dia a dia, ele é diferenciado. Com toda a fama que ele tem, com tudo o que ele traz, ele poderia ser mais um cara temperado pela fama. Não há motivos para não acertarmos. Eu não firmo nada porque todos os outros também estão esperando. Quando for divulgada a lista de renovação, será divulgada para todos ao mesmo tempo. É apenas isso. As chances são altíssimas. O próprio Falcão sabe que as decisões são tomadas depois dos campeonatos.
Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, o Falcão disse que a intenção era fazer um novo contrato por mais dois anos.
Tranquilamente. As chances são totais. De um ano, de dois anos, o Falcão está com as portas abertas para ficar o quanto ele quiser.
O Orlândia pensa em trazer mais jogadores de seleção para o elenco?
Quando um time alcança o auge, ela passa a ser também ambição de outros jogadores. Jogadores que quase acertaram conosco, às vezes preferiram outras equipes como o Joinville, com o Ferreti, ou mesmo o Corinthians. Nós perdemos o Leandro, que estava nos planos e preferiu sair e foi para o Corinthians. Todo ano você tem que pensar em renovação, em reforços. Os outros times vão tentar superar a gente, ninguém para de investir. Por que nós devemos parar?
Existem rumores de que o próximo passo do Orlândia é ter um ginásio com capacidade para receber os jogos da fase final da Liga Futsal. Existe um planejamento para isso? (neste ano, o Orlândia teve de mandar jogos em São Sebastião do Paraíso).
Vincenzo Spedicato – O poder público e a população já se conscientizaram sobre a necessidade de termos um ginásio no nível do nosso time. Fomos muito mais rápidos do que as obras e a infraestrutura que a cidade oferece. O ginásio precisa ser ampliado para receber três mil pessoas ou precisamos de um ginásio novo. Estamos tentando buscar verbas privadas ou estaduais para conseguir esta realização. Em última análise, se o poder público não conseguir, podemos até partir para o objetivo de ter um ginásio particular, que nao é ideal. Precisaríamos de um pool de empresas. Tem que haver um esforço de todo mundo para um objetivo comum.
O time de basquete de Ribeirão, que chegou a conquistar títulos estaduais e nacional, acabou porque a diretoria alegou desorganização por parte da Confederação Brasileira de Basquete. O Orlândia corre esse tipo de risco?
Isso é que nem um casamento. Se você quer se separar da mulher, você vai achar mil defeitos. Acontece que a vida não é só um mar de rosas. Você tem que ter a chama da paixão. Se quiser achar defeito, eu vou achar mil defeitos. Mas não pretendo enxergá-los. Pretendo enxergar as virtudes. Talvez os diretores de Ribeirão tiveram outra visão, de um retorno, de atingir a perfeição por questão de business. Nosso caso é diferente. Enquanto eu tiver forças e esta chama ficar acesa, eu não pretendo apagá-la. Eu não tenho mais esse direito. Como vou acabar com a esperança de tantos fãs, de tantos seguidores, de um dia para o outro. Eu digo ‘acabou’? Que direito eu tenho, embora os investimentos sejam meus, de acabar com essa esperança, essa paixão que acendi em todos esses seguidores nossos.
Durante a entrevista o senhor falou muito no lado humano, principalmente para comentar sobre o Falcão. Essa é a receita do sucesso da equipe?
Nunca fizeram convites para você deixar a cidade de Orlândia e montar o time em uma cidade maior? Com mais torcida, um ginásio maior?
Esses convites já vieram muitas vezes, de cidades bem maiores. Nossas empresas estão aqui, vivemos aqui, nossos filhos estão aqui, nós temos que devolver para a sociedade um pouco daquilo que ela nos dá. Esse é o nosso objetivo. Não vamos somente atrás de sonhos e glórias. Eu me preocupo em devolver à sociedade um pouco do tanto que ela nos dá.
* A indústria de terminais elétricos de Vincenzo Spedicato tem aproximadamente 1.200 funcionários nas duas unidades, em Orlândia e Campinas.
Foto: Vincenzo Spedicato quer conquistar o Mundial de clubes (Foto: Cleber Akamine / globoesporte.com)
Fonte: Cleber Akamine
Globoesporte.com
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